SNCR: o que muda para farmácias e drogarias com o novo sistema de controle de receitas
Nova fase prevê emissão eletrônica das receitas de controlados.
Nova fase do SNCR prevê integração com sistemas de prescrição eletrônica.
SNCR: o que muda para farmácias e drogarias com o novo sistema de controle de receitas
O Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), desenvolvido pela Anvisa, promete transformar a forma como receitas de medicamentos sujeitos a controle especial serão emitidas, validadas e dispensadas em todo o Brasil.
Criado pela RDC nº 873/2024, o sistema tem como objetivo centralizar nacionalmente o controle das numerações de receituários, aumentando a rastreabilidade das prescrições e reduzindo riscos de fraudes e falsificações.
Na prática, o SNCR permitirá acompanhar eletronicamente todo o ciclo da receita, desde sua emissão pelo prescritor até a dispensação do medicamento pela farmácia ou drogaria.
Como funciona atualmente?
Até então, cada Vigilância Sanitária estadual possuía seu próprio processo de controle e distribuição de numerações para receituários especiais.
Com o SNCR, essa gestão passa a ocorrer de forma padronizada em uma plataforma nacional, mantendo as Vigilâncias Sanitárias responsáveis pela concessão e fiscalização das numerações.
O sistema já está em funcionamento desde 2024 para utilização pelos órgãos de Vigilância Sanitária e entra agora em uma nova etapa voltada para prescritores, sistemas de prescrição eletrônica e, futuramente, farmácias e drogarias.
Nova fase: receitas eletrônicas de medicamentos controlados
A próxima etapa do SNCR prevê a emissão eletrônica das Notificações de Receita, integrando em um único ambiente digital a numeração do receituário, a prescrição e o registro de utilização.
Para viabilizar essa operação, a Anvisa iniciará a disponibilização das ferramentas e recursos necessários para integração dos sistemas de prescrição eletrônica à plataforma.
Os receituários físicos continuarão válidos e poderão ser utilizados normalmente. Neste primeiro momento, eles coexistirão com o modelo eletrônico.
O que muda para farmácias e drogarias?
As farmácias passarão a participar diretamente do processo de validação das receitas eletrônicas de medicamentos controlados.
Entre as principais responsabilidades previstas estão:
- Validar a autenticidade da receita eletrônica;
- Confirmar os dados do prescritor;
- Registrar a dispensação do medicamento;
- Realizar a baixa eletrônica da receita;
- Impedir a reutilização da mesma numeração de receituário.
Com isso, a farmácia passa a desempenhar um papel fundamental no encerramento do ciclo da prescrição dentro do sistema nacional.
Quando as farmácias passarão a utilizar o SNCR?
Neste momento, a Anvisa trabalha na integração do SNCR com as plataformas de prescrição eletrônica.
Somente após essa etapa será liberado o acesso para farmácias, drogarias e demais estabelecimentos dispensadores.
O cronograma definitivo de implantação e os prazos de adequação serão divulgados pela Anvisa nas próximas fases do projeto.
O receituário físico será substituído?
Não. Os receituários físicos continuarão existindo e poderão ser utilizados normalmente.
O modelo eletrônico será implementado gradualmente e coexistirá com os formulários impressos já utilizados pelos profissionais de saúde.
O SNCR substituirá o SNGPC?
Não. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) continuará em funcionamento.
Os dois sistemas possuem objetivos diferentes:
SNGPC
- Controle de estoque
- Escrituração sanitária
- Movimentação de medicamentos
- Já utilizado pelas farmácias
SNCR
- Controle de receitas
- Rastreabilidade das prescrições
- Emissão e utilização das receitas
- Nova plataforma nacional
E as receitas eletrônicas já existentes?
Receitas eletrônicas de Controle Especial, antimicrobianos e medicamentos agonistas de GLP-1 poderão continuar sendo emitidas.
Após a disponibilização da integração com o SNCR, essas receitas deverão ser emitidas de forma integrada à nova plataforma.
Receitas emitidas anteriormente à integração poderão continuar sendo aceitas pelas farmácias durante um período de transição de até 30 dias.
O que as farmácias precisam fazer agora?
Neste momento, não existe nenhuma ação obrigatória para farmácias e drogarias.
As funcionalidades destinadas aos estabelecimentos dispensadores ainda serão disponibilizadas pela Anvisa.
O mais importante é acompanhar as próximas atualizações e orientações oficiais sobre o cronograma de implantação.
Quais serão os requisitos para acesso ao sistema?
Segundo as informações divulgadas pela Anvisa, os estabelecimentos deverão possuir sua documentação regularizada.
Entre os requisitos previstos estão:
- e-CNPJ válido;
- AFE ativa e regularizada;
- Cadastro atualizado do estabelecimento;
- Conta GOV.BR dos responsáveis legais;
- Integração dos sistemas de prescrição eletrônica ao SNCR.
Para farmácias públicas e dispensários, também será exigido cadastro no CNES.
Haverá treinamento?
Sim. A Anvisa informou que disponibilizará manuais, materiais de apoio, orientações técnicas e webinares para auxiliar todos os envolvidos na adaptação ao novo sistema.
Impactos para o setor farmacêutico
O SNCR representa uma das maiores mudanças regulatórias dos últimos anos para o controle de medicamentos sujeitos a controle especial.
A expectativa é aumentar a segurança das prescrições, reduzir fraudes, melhorar a rastreabilidade das receitas e fortalecer o controle sanitário em todo o país.
O LivePharma acompanha continuamente a evolução do SNCR e as futuras especificações técnicas da Anvisa para garantir que seus clientes estejam preparados para atender às novas exigências regulatórias e operacionais do mercado farmacêutico.
Acesse nossa central de perguntas e respostas sobre o tema: FAQ sobre SNCR